Obesidade infantil: cresce a prevalência de hipertensão
Alerta foi feito por médicos reunidos em congresso em São Paulo: 42% das crianças obesas apresentam pressão arterial alta, o que desembocará fatalmente em diabetes do tipo 2 e doenças cardíacas
Reunidos durante o fim de semana em São Paulo no 12o. Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, endocrinologistas de todo o Brasil chamaram a atenção para o agravamento do problema da obesidade infantil no país: em 20 anos, a prevalência da obesidade nas crianças e nos adolescentes pulou de 4,1% para 13,9%, sendo que algumas cidades brasileiras chegam a ter 20% de suas crianças e jovens classificados como obesos.
As conseqüências disso, segundo o endocrinologista carioca Tércio Rocha, são preocupantes, já que cada vez mais se diagnosticam em crianças muito novas doenças que antes eram restritas aos idosos, como diabetes do tipo 2 e hipertensão arterial.
- De acordo com estatísticas apresentadas por colegas nesse congresso, 42% das crianças obesas hoje têm hipertensão arterial. Ou seja: se não forem tratadas logo, com a reversão imediata desse quadro, terão doenças cardíacas e um comprometimento importante de sua qualidade de vida ainda na juventude. O que esperar na vida adulta e depois?
Para Tércio, o primeiro ponto a ser atacado deve ser a desinformação.
- Uma pesquisa da USP com o Datafolha, feita nas ruas do centro de São Paulo, mostrou que apenas 13% das pessoas associam a obesidade com o risco de hipertensão arterial e doenças cardíacas. Isso precisa mudar.
Tratamento com mudança de dieta e incentivo de atividade física tem êxito.
O endocrinologista iniciou meses atrás um estudo em seus consultórios, inscrevendo 100 crianças com obesidade para um tratamento com duração prevista de pouco mais de 100 dias. O programa consiste em avaliação de cada caso por uma equipe multidisciplinar (endocrinologista, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta) e o estabelecimento de novos hábitos de vida - incluindo mais atividade física - e alimentação mais saudável.
- É impressionante ver os resultados, há crianças que já perderam 10, 12 quilos, e agradecem pela mudança ocorrida em suas vidas: antes sofriam de dor de cabeça, não tinham ânimo para brincar ou estudar – conta o médico. – E o melhor de tudo: os adultos da família vão emagrecendo e melhorando a saúde também, porque mudam os parâmetros dentro de casa.
O médico alerta para algumas queixas das crianças – às quais muitas vezes os adultos não dão atenção – que já indicariam a presença da hipertensão arterial:
· Dor de cabeça freqüente
· Pulsações na nuca e/ou nas laterais da cabeça
· Desconforto na cabeça ao se deitar
· Calor na cabeça e nas orelhas
· Desconforto ao praticar atividades físicas
· Visão turva e/ou com bolas amarelas no campo de visão
E sugere algumas medidas para combater a obesidade e suas conseqüências:
· Aferir a pressão arterial da criança com alguma freqüência (o normal nessa faixa é até 11,5/6,5 mmHg)
· Estabelecer uma dieta saudável livre de gorduras trans, equilibrada em gorduras e carboidratos, e muito rica em verduras, frutas e líquidos.
· Reduzir o tempo à frente da TV e do computador
· Incentivar brincadeiras ao ar livre, como caminhadas, jogos, ciclismo etc.
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