Temas abordados:
Obstetrícia e o Pré-Natal
Tipos de Parto
A palavra "obstetrícia" vem do latin, de Ob (em frente – obstáculo) e Estare (estar), ou seja estar na frente da mulher (para aparar o bebê quando nasce), estar próximo, ao lado da parturiente.
Obstetrícia É a especialidade médica que lida com o ciclo: Concepção, Gestação,
Parto e Puerpério.
Em última instância é a especialidade médica relacionada com a chegada do bebê ao mundo, ao parto.
A obstetrícia é uma ciência, pois temos que ter o conhecimento do funcionamento normal, ou fisiológico, do sistema reprodutor feminino.
Como se processa o parto. O que é normal e o que é patológico na gestação e parto. Mas também é arte, cada um vai fazer do seu jeito e alguns de maneira mais elegante que outros. Pois todos estudam e aprendem a mesma base, mas a prática é individual. É ciência e arte ao mesmo tempo. Eu ousaria acrescentar que também é uma atividade onde temos de dispor de intuição, alem do conhecimento, pois cada mulher funciona de uma maneira diferente, e muitas ocorrências na gestação e parto não são tão racionais assim. Algumas condutas obstétricas são tomadas por intuição e depois entendemos o porque.
De toda maneira o alcance da ciência e do homem é limitado na obstetrícia, pois lidamos com a vida, e o Autor da vida é personagem sempre presente em nossos partos. É Ele que é Senhor de todas as coisas, e claramente orienta e age neste momento tão intenso: a chegada de um novo ser a este mundo, sem a ajuda dEle pouco ou nada seria possível.
A GESTAÇÃO:
É um processo natural que dura cerca de 9 meses, ou 10 meses lunares (280 dias), quanto então o corpo da grávida coloca (ou literalmente expulsa) o bebê para fora.
Contamos a gestação por MESES, partindo da DATA DA FECUNDAÇÃO, vamos ter um exemplo:
DUM (data da ultima menstruação) 10/04/07
FECUNDAÇÃO – cerca de 14 dias depois: 24/04/07
Então em 24 de maio terá um mês de gestação, e 24 de junho dois, e assim por diante. É diferente do calculo que os médicos fazem por semana, pois estes partem da DUM o que não calcula a gestação mas a amenorréia.
Então temos 9 meses no dia 24 de janeiro de 2008.
O CALCULO da data do parto:
adicionar 7 aos dias da DUM e subtrair 3 nos meses.
10+7=17
04-03=01
DPP (data provável do parto) 17/01/08 até 24/01/08
O PRÉ-NATAL
A primeira coisa que uma mulher grávida quer fazer é procurar o médico para ver se está tudo bem, para se sentir segura, e deve fazer isto mesmo. Mas não precisa ter pressa não. Aliás, na gravidez ela vai precisar de muita coisa, menos de pressa. Deve fazer tudo bem devagar, pois a própria gravidez não tem pressa de nada, e leva nove meses para o parto.
O medico vai pedir os seguintes exames:
• Eritrograma ou hemograma
• Urina 1
• Glicemia de jejum
• VDRL (avalia sífilis)
• Sorologia para Toxoplasmose
• Sorologia para Rubéola
• Sorologia para Hepatite C
• H Bs Ag (hepatite B)
• Elisa para HIV (AIDS)
• Tipagem sanguínea ABO/RH
Alguns médicos também pedem:
• Sorologia para CMV (Citomegalovirus)
• Cultura de urina
Não vamos dar os resultados esperados pois eles devem ser interpretados pelo médico. Apenas adiantamos que é esperado e desejado que a mulher tenha imunidade tanto para a toxoplasmose como para a Rubéola.
AS CONSULTAS de PRÉ-NATAL
Normalmente as consultas acontecem a cada 30 dias até o último mês, quando passam a ser semanais. Nas consultas se discute a condição de saúde da grávida, suas queixas, suas duvidas, e o médico pode dar toda orientação necessária para cada momento da gestação.
Orienta-se que a mulher passe a tomar o ácido fólico diariamente a partir do momento que libera para engravidar, ou seja, antes de engravidar inicie, pois ele pode proteger de malformações do tubo neural, espinha bífida e outras. Normalmente se toma o ácido fólico até as 12ª semana de amenorréia, embora possa-se tomar até o final da gestação. Mas se ela já chega grávida, pode tomar a partir da primeira consulta de pré-natal até o 3º mês.
Outros complementos alimentares são indicados também como:
• Óleo de germe de trigo
• Óleo de semente de linhaça
• Óleo de prímula ou boragem (protege de aumento de pressão sanguínea ou toxemia no final da gravidez)
• Complementação de cálcio também pode ser indicada
• Algas tipo CHLORELLA que são de águas doces
• Levedura de cerveja- ajuda o intestino e melhora a pele.
Estas substâncias têm em comum seus efeitos anti-radicais-livres, que são produtos da atividade metabólica do organismo, ou resultado do envelhecimento ou da metabolização de substâncias tóxicas que entram no corpo. Entre estas substâncias que protegem nosso organismo destacamos também a vitamina E e C. Todas elas podem ser tomadas até o dia do parto e também durante a amamentação.
Os multivitamínicos estão indicados nos casos de grávidas que vêm de um período de muito esforço físico, excesso de trabalho, anemia, ou cansaço. Há diversidade de polivitamínicos específicos para gestantes. Mas como são elementos de origem mineral, têm menor biodisponibilidade, ou seja, são mais difíceis de serem absorvidos (surapradyn pré-natal®,natalis®, natelle®,materna®,e muitos outros)
DICA: nunca passe óleo ou creme na barriga antes de ir a uma consulta de pré-natal, pois isto dificulta, se não impedir, de ouvir o coração do bebê.
Alguns maridos se animam de participar do pré-natal, de irem às consultas e outros preferem não comparecer. Alguns querem e não podem por questão de compromisso de trabalho. Outros fazem de tudo para estar, para assistir o ultrasson junto com a esposa. As grávidas normalmente demandam esta atenção, pois para elas a companhia do marido é interpretada como um carinho, uma atenção.
TIPOS de PARTO
São muitos os tipos de parto:
1. PARTO NORMAL,
ou parto vaginal, ou parto via baixa.
Acontece em ambiente hospitalar e normalmente na posição ginecológica, ou posição tradicional de parto, deitada de costas. São realizados procedimentos como, colocação de soro para aumentar as contrações, corte no períneo chamado episiotomia, analgesia peridural, e eventualmente alguma outra intervenção como fórcipe de alivio. Após o parto o bebê é levado pelo pediatra para um bercinho aquecido no berçário. Sem a presença do marido. Normalmente fica-se deitada durante as contrações. Há intervenções verbais também para que a parturiente faça força e normalmente a parturiente (mulher em trabalho de parto) é chamada de paciente.
2. PARTO HUMANIZADO, é aquele onde se procura respeitar mais as necessidades emocionais da mulher,
a presença do marido, pode deambular durante as contrações. Pode mudar de posições. E pode escolher a posição que prefere dar à luz. Mas pode ser com anestesia também. E a posição de parto pode ser a tradicional também. Prefere-se usar o VACUO extrator em vez do fórcipe.
3. PARTO ATIVO,
é o que se conhecia como parto natural,
com um mínimo de intervenções (episiotomia, anestesia, fórcipe, etc). a mulher permanece ativa, andando, escolhendo o melhor para ela, consciente e lidando com as dores de parto, respirando, chegando a dar à luz sem intervenções. Recebe o bebê na barriga depois do parto.
4. PARTO DE VERTICAL
ou de COCORAS ou SENTADA,
é o parto onde a mulher fica na vertical no momento da expulsão do bebê, que pode ser em um banquinho que temos usado nos últimos anos, facilita a descida e rotação da cabeça do bebê, devido ao uso da força da gravidez assim como maior abertura dos diâmetros internos da bacia.
5. SIMMS, é o parto onde a parturiente fica na posição de lado,
para não ter a compressão dos grandes vasos (Aorta e Veia cava) que levam e trazem o sangue para a placenta, permitindo uma melhor irrigação de oxigênio para a criança. Está indicado em casos onde a parturiente está muito cansada e quer deitar, para se evitar a posição ginecológica.
6. PARTO NA AGUA, é o parto onde a parturiente fica em uma banheira
(de hidromassagem ou de plástico) durante as contrações chegando a dar a luz dentro da banheira. É um ótimo recurso para diminuir a dor, para aumentar a velocidade de dilatação, e para ajudar a parturiente a se animar. A dificuldade é de logística, ou seja, são poucos os hospitais que dispõem de uma banheira em ambiente de parto. O marido pode entrar na banheira com a esposa.
7. CESARIANA
É uma intervenção cirúrgica e tem que acontecer em centro cirúrgico.
A cesariana é uma ótima cirurgia, pois salva a vida de mães e de crianças em situação de risco.
Não somos contra a cesariana, quando indicada. Mas todo excesso na natureza tem suas conseqüências.
Então a cirurgia deve ter uma indicação. As causas maternas são: bacia pequena, bebê muito grande, hipertensão arterial (pré-eclampsia), diabetes, placenta previa, oligoâmnio, falta de progressão de trabalho de parto, pós-datismo sem condições de indução, bolsa rota pode ser uma indicação parcial, e outras. As indicações fetais são: sofrimento fetal crônico, sofrimento agudo (trabalho de parto), distócia de rotação da cabeça na bacia, prematuridade, gemelar (depende da situação dos bebês), apresentação pélvica em primigesta, e outras. Não é indicação de cesariana: cordão enrolado no pescoço, cordão curto (não se pode medir o tamanho do cordão pelo ultrasson), colo que não dilata sem esperar e sem trabalho de parto, e uma infinidade de estórias que a mulheres contam de indicações de cesariana.
O risco de complicação desta operação é pequeno, particularmente com o desenvolvimento da medicina como ciência moderna, e foi diminuindo com o tempo. Mas, como toda cirurgia, a cesariana tem seus riscos: sangramento maior, hemorragia por lesão de órgãos, infecção cirúrgica, infecção e deiscência de parede, abscesso, hematoma de parede, e outras. O risco de complicação também é aumentado em 10 vezes para a criança. Mas em medicina tudo deve ser avaliado com bom senso, e se ponderarmos que o risco potencial de um parto é maior que o risco conhecido da cirurgia, então fica indicada a realização da mesma.
ANESTESIA
Primeiramente é necessário “pegar” uma veia para infusão de liquido parenteral. A anestesia da cesariana pode ser uma peridural ou raquianestesia, que hoje em dia não se faz mais com aquelas agulhas grossas do passado, pelo contrario, usa-se uma agulha fininha que raramente dá a complicação de dor de cabeça por raqui. Ambas são realizadas nas costas e tem uma duração de cerca de 3 horas de anestesia. Coloca-se também uma sonda na bexiga, que pode ser retirado 12 horas depois da intervenção.
Dr Adailton Salvatore Meira
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