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Mãe, Ano VI - Nº 62
Bebês nadadores
O bem estar físico e emocional para nossos filhos está na piscina.
Com brincadeiras aquáticas, eles crescem felizes e com saúde
“Parecem golfinhos!” Esta foi a mais perfeita definição que a australiana Mak Gregory encontrou para descrever a desenvoltura dos bebês na água. Dita no final do século passado, a frase caiu como uma luva para definir o conceito da natação precoce, uma atividade que começou por volta de 1840, sob o comando de Gregory, a mulher que primeiro percebeu o elo natural entre a água e as crianças. Na época, colocar bebê para nadar foi uma audácia e tanto. Até hoje é motivo de polêmica, pois muita gente continua sustentando a idéia de que soltar um bebezinho na água é uma agressão. Puro preconceito. Partindo da premissa de que toda criança é gerada em meio líquido, a natação precoce é uma espécie de retorno ás origens, ou seja, ao útero, ao líquido a aminiótico.Quando eles colocam os bebês na água, á idéia não é prepará-los para competir, sincronizando os movimentos. A versão do esporte para bebês é lúdica, uma verdadeira fonte de alegria e prazer. Por isso, ao realizar uma analogia entre as crianças e os golfinhos, conhecidos como os grandes brincalhões do mar, Gregory definiu a filosofia que a prática deveria seguir:a de um método capaz de desenvolver as percepções sensório-motoras da criança, por meio da brincadeira e da diversão.

Uma farra e tanto
A pequena Beatriz, uma loirinha de olhos azuis e com apenas dois anos de idade, entra na piscina, sem bóias, para brincar com o tio Fontanelli. A mamãe, professora Lourdes Aranha, pela primeira vez depois de três meses, consegue ficar fora da água, como consentimento da filha, que parece não precisar mais dela para sentir-se à vontade dentro d’água. Sem esboçar o menor sinal de choro nem demonstrar nenhuma insatisfação, Beatriz bate a s perninhas apoiadas em uma ilha de plástico e acrílico, fixada na piscina, desliza segurando nos braços do professor, mergulha e se diverte com os brinquedos de isopor jogados na água. Junto com outras crianças, algumas ainda acompanhadas da mãe, ela aprende a respeitar e dividir Lourdes diz que desde de que a matriculou nas aulinhas de natação da escola Manoel dos Santos, em São Paulo, Bia dorme melhor e come mais. Além disso, tornou-se uma criança mais independente e menos ansiosa. O curioso é que depoimentos parecidos como este pipocam a todo o momento entre outras mães que esperam o final da aula. O professor José Fontanelli, coordenador pedagógico da aula de natação para bebês, ex- atleta e professor de educação física especializado em natação precoce, explica que á prática também é uma alternativa terapêutica eficiente e prazerosa para problemas mais sérios que falta de sono ou apetite. “A bronquite, os desvios de postura e crescimento, alguns retardos motores e atrofia musculares também podem ser tratados com a natação precoce”, diz ele. O fato é que não existe atividade física capaz de substitui-la na faixa etária que vai do zero aos quatro anos. E quanto mais cedo o bebê for para a água, mas favorável ele reagirá.
Mesmo antes da fase pré-escolar, a natação ajuda a tornar a criança mais esperta e sociável, o que é comprovado em casa pelos próprios pais. Na base da diversão, o potencial do bebê é quase sempre estimulado com brincadeiras que associam gestos com músicas. Cada movimento ganha um nome dentro da piscina e vira uma farra e tanto para a criançada. Fazer “bambalalão”, por exemplo, significa levantar o bebê e inclina-lo rapidamente para frente até que ele chegue bem próximo a superfície da água. A brincadeira desenvolve o equilíbrio e os reflexos da criança, que na hora da “queda” aprende a colocar os bracinhos à frente do corpo e do rosto. Brincar de “serra-serra”, outra modalidade, faz com que o bebê exercite os braços e desenvolva noções de espaço, distância e força segurando na haste da ilha e empurrando o corpo para frente e para trás. O “golfinho” é um mergulho até o fundo da piscina. A criança imerge envolvida pelos braços do professor e emerge rapidinho, com os olhinhos abertos e sem engolir um pingo d’água. E quando engole é por querer. Segundo Fontanelli, como a água deve estar especialmente tratada com sal para adquirir sabor parecido com o do líquido aminiótico, há crianças que bebem – porque querem – até aproximadamente 10% do próprio peso, sem nenhuma seqüela para a saúde. Outras deslizam com a lingüinha para fora, saboreando a água levemente salgada.

Bronquite, o principal alvo
Quando a natação precoce aparece no receituário médico, quase sempre o problema é bronquite. “Ela tem sido principal alvo da natação com finalidades terapêuticas”, diz a pediatra Idely Hermínia Cianciarulo, com mais de dez anos de experiência na área. A pressão da água sobre o abdômen e tórax da criança, o vapor da piscina e os movimentos respiratórios ajudam a expandir os pulmões, facilitando a entrada e saída de ar. O processo funciona como uma espécie de inalação, que não priva a criança de suas atividades nem a superprotege. “O resultado é um intervalo maior entre as crises, que, quando ocorre, são cada vez mais fracas”, diz a médica que, comprovou a eficiência do método como mãe e profissional. “Meu filho praticava a natação precoce também por causa da bronquite. Cheguei a coloca-lo em aula em momentos de crise moderada, sem febre, e pude perceber que, apesar de não atingir um bom rendimento nas ocasiões, ele saía da piscina melhor do que havia entrado”, conta.
Além de remédio para bronquite e outros problemas respiratórios, na natação para bebês há um fortalecimento da musculatura generalizada e uma gama de exercícios para auxiliar a coordenação, que se torna mais precisasse uma mola para o amadurecimento. Há desenvolvimento muscular com mudanças posturais, que podem ser notadas depois de seis meses de prática. “É um investimento e tanto, um verdadeiro ‘seguro de vida’ para a criança”, lembra Fontanelli.
Outro trunfo da natação para bebês, talvez o mais salutar, é a grande aproximação entre a criança e os pais. O pequeno nunca entra sozinho na piscina – normalmente é acompanhado pela mãe. Ela só sai da piscina quando ela se sente segura e disposta a continuar a aulas sozinha com o professor. Antes disso, o momento que ambas passam juntas na água é invariavelmente mágico, especial e cheio de muito amor e carinho.
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A aproximação entre pais e filhos é um dos melhores resultados da natação precosse.

Serra-serra, golfinho e bambalalão são alguns dos nomes dos movimentos

Na base da brincadeira a criançada aprende tudo. Até mesmo a nadar.
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