1º Trimestre de 2005)

Parto na água ganha adeptos no Brasil

O parto na água, apregoado por alguns como uma forma mais humanizada de dar à luz, encontra receptividade cada vez maior entre as mulheres. Além de ser mais seguro, participativo e menos dolorido, nessa modalidade a mulher se torna ativa e ganha muito com a participação consciente, num momento dos mais importantes de sua vida.

Acima de tudo, no entanto, contribui para a disseminação dessa prática a crescente consciência dos benefícios que traz para o bebê, personagem principal e, até o surgimento dos chamados partos alternativos, como o que se dá na água, o que menos recebia cuidados. Não que a medicina não se importasse em dar conforto aos recém-nascidos, mas antes por desconhecimento das sensações que a criança sente no momento em que vem ao mundo.

O parto na água surgiu em função de especulações sobre seus aspectos positivos, favorecidos pelo desenvolvimento de ciências como a psicologia. Concluiu-se que, para o bebê, o natural choque do nascimento é mais suave do que no parto tradicional. Isso por que, na passagem do líquido do útero materno para a água da piscina, esta serve como ponto de repouso na jornada humana que se inicia e – esperança de todos – deve ser duradoura.

Resposta natural

A técnica foi uma resposta natural ao uso abusivo da operação cesariana, generalizado nos anos 80 e 90. Por não estarem devidamente informadas, as gestantes acreditavam que a cesariana abreviaria as dores do parto normal, mas logo descobriram o equívoco. No parto normal, as dores fortes acontecem apenas durante as contrações. Na cesariana, a fase dolorida e demorada é o processo posterior de recuperação, que, em muitos casos, leva semanas e dificulta a retomada da vida normal da mulher. Além disso, o índice de mortalidade na cesariana é três vezes maior que no parto normal, e é levado o número de seqüelas respiratórias nos bebês.

O obstetra e ginecologista Adaílton Salvatore Meira crítica o uso abusivo da cesariana no Brasil, dizendo que além de tudo elas ocasionam um gasto elevado e desnecessário para o sistema de saúde: aumentam a permanência da gestante no hospital, com maior consumo de medicamentos e maior utilização de profissionais da saúde. Sem falar no risco de infecção hospitalar.
Já no parto na água, a mulher fica imersa – numa banheira ou numa piscina – durante o nascimento do bebê. O parto é mais tranqüilo e confortável, e o ambiente em que acontece já é conhecido. Pode ser na própria residência da gestante, desde que adequadamente acompanhado por um médico e seus assistentes. Mas leva-se em conta que, seja em sua casa, seja na maternidade, no parto na água o recém-nascido passa os primeiros momentos de sua existência num ambiente similar ao do útero materno. Além disso, a água aquecida não deixa a parturiente perder muito calor corporal, e a posição vertical em que ela é colocada dentro da banheira ou da piscina facilita o retorno venoso e o bombeamento de sangue. Como argumento definitivo existe a vantagem de, na água, a dor ser menor que no parto tradicional.

Num primeiro momento, quando se ouve falar em parto na água, geralmente há estranhamento. Como imaginar um parto em que mãe e feto estarão imersos na água, o que não é a condição natural da existência humana? “Quando a mãe entra na água aquecida da banheira, ela se sente mais leve, mais solta”, explica o doutor Meira “devido à flutuação, ela relaxa os músculos do corpo e sua circulação sanguínea fica mais ativa o que propicia ao metabolismo maior produção de endorfina”. O obstetra afirma que, assim, a gestante administra melhor a dor e o desgaste do parto. Em termos psicológicos, a massagem da água da piscina, ocorrida por todos os lados, permite que a gestante libere suas emoções. O meio propicia ainda à futura mãe vivenciar o que o feto vem passando em sua barriga. Segundo depoimentos de incontáveis parturientes que recorreram a essa prática, dar à luz o bebê dentro da água é como reviver o próprio nascimento.

Participação do pai

O parto na água coloca outra questão interessante: a participação ativa do pai no processo, raramente permitida nos hospitais públicos e privados e poço estimulada pelos médicos. A presença paterna reforça a sensação de conforto e segurança para a mãe. É o pai quem dá suporte quando a mãe está na banheira, ajudado-a a manter-se na posição semi-inclinada, sentada ou de costas. O pai será útil também ao fazer massagens na barriga e nas costas da mãe, para que o relaxamento seja o maior possível. Estará ali para tranqüilizar e dar boas vindas ao recém-nascido.

Já o bebê, ao nascer no meio líquido, sente-se como se estivesse em casa. A transição para o meio externo é mais suave e seu primeiro contato com a mãe, após o nascimento, é imediato: quem vai segura-lo primeiro não é o médico, nem os enfermeiros, mas sim quem os gerou. Esse primeiro contato pós-parto é extremamente aconchegante para que o recém-nascido, que ficou nove meses dentro da mãe e não estranha a separação brusca.

Muitas mulheres, que desconhecem as reais vantagens do parto na água, alimentam temores que, na opinião de obstetras adeptos desta prática, não se justifica. Algumas receiam eventuais riscos de contaminação, outras temem o contágio do recém-nascido com o sangue a urina maternos. Há até mães que não conseguem relaxar durante o parto, pelo temor de um improvável afogamento da criança. São medos que nascem do desconhecimento das vantagens do parto na água e que são facilmente contornáveis depois de uma boa conversa com o médico.

O doutor Adailton Salvatore Meira, com um sorriso nos lábios, garante que a possibilidade de contaminação da água é praticamente inexistente. “Primeiro, porque a banheira é rigorosamente desinfetada; depois porque, contaminante por contaminante, nada é mais grave que as próprias bactérias vaginais da mulher”, ele diz. A maior parte do sangue da gestante é estancada pela própria pressão da água e não chega aos níveis de um parto normal. Já a respiração do bebê, outro motivo de preocupação para a mãe, acontece com absoluta normalidade no parto na água. “A respiração só é ativada quando o pulmão do recém-nascido entra em contato direto com o ar”, explica. De resto, basta ver, como mostrou Hidronews em sua edição número 1, a desenvoltura com que os bebês nadam ao entrar em contato com a água em piscinas

PARA DECIDIR COM SEGURANÇA

Como acontece em todo os procedimentos médico, o custo de um parto na água é variável. Da mesma forma que no período da gestação da criança cujo parto será tradicional os pais analisam preços de maternidades e de serviços, é preciso informar-se no caso de parto na água. Para isso, Hidronews fornece abaixo alguns endereços na internet que oferecem abundantes informações sobre o assunto. Mas, além disso, para decidir-se é fundamental que os pais se aconselhem com o médico de sua confiança.

Sites indicados:

mulher.bol.com.br/
www.escelsanet.com.br
www.amigasdoparto.com.br/
www.amigasdoparto.com.br/
www.jakobi.com.br

 

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