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Novos métodos anticoncepcionais são mais seguros que a pílula
A pílula anticoncepcional é o método mais usado pelas mulheres no Brasil, mais pela praticidade e comodidade do que pelas vantagens que o uso traz. Os próprios médicos reconhecem isso e acham que há desinformação sobre os outros métodos anticoncepcionais, que não possuem hormônios e não provocam efeito colateral no organismo. João Luiz Pinto e Silva, ginecologista da Unicamp, acha que pelo fato de haver maior eficácia e da maior praticidade do uso acaba sendo mais difundido. Adaílton Meira diz que o problema está na falta de informação. “Na verdade, o médico deveria apresentar as vantagens de todos os métodos para a mulher então optar”, opina.
Mas não é isso que ocorre nos consultórios, onde muitas vezes os médicos ñ tiveram ampla discussão sobre os diferentes métodos dentro das próprias escolas de Medicina, portanto não estão aparelhados para apresentar maiores opções à mulher. É o caso específico do diafragma, uma espécie de anel metal flexível com uma lâmina de borracha fina, e que deve ser introduzido dentro da cavidade vaginal até atingir o colo do útero. Para ser indica, o, o médico primeiro precisa certificar-se que a paciente não tem o útero retrovertido. Em segundo lugar, medir o tamanho do anel da mulher, para que o diafragma colocado não cause incômodo. Em grande parte dos consultórios não existem os anéis para recomendação do uso do diafragma.
Entre os métodos contraceptivos existentes, o diafragma e o dispositivo uterino – DIU – são, na opinião de Adaílton Salvatore Meira, os mais vantajosos, já que não possuem hormônios e permitem a ovulação normal da mulher, o que a pílula impede. Os métodos mecânicos, como o diafragma, acabam sendo rejeitados pela mulher, porque exigem em preparo antes e depois da relação sexual. Custando em média de Cr$ 25 mil e com validade de dois anos, precisa ser colocado pelo menos dez minutos antes da relação, junto com o gel espermaticida, que vai agir na eliminação de espermatozóides e até na proteção contra o vírus da Aids. Para que o gel atue, precisa ser aquecido pelo corpo, daí a colocação antes da relação. A retirada do diafragma só pode ser feita no mínimo seis horas após o ato sexual, tempo de vida dos espermatozóides na vagina.
O uso do DIU já é bem mais simples, porque é colocado pelo médico, no consultório, e pode durar até três anos, com uma baixa taxa de falha: de cada 100 mulheres uma engravida no prazo de 12 meses usando o DIU. A desvantagem desse método – que funciona como espermaticida – é que pode induzir ao aparecimento de doença inflamatória pélvica, que leva à infertilidade, em alguns casos, e também a um aumento do fluxo menstrual, nos primeiros meses de uso. Mesmo com o preconceito relacionado ao DIU, como um provável indutor do aparecimento da doença pélvica, Adaílton Salvatore Meira acredita que um acompanhamento constante, a higiene da mulher e uma vida sexual afetiva estável, podem facilmente evitar essa ocorrência desagradável.
O DIU, além de permitir a ovulação normal da mulher, alerta o ginecologista, não trará alterações de humor e do interesse sexual da mulher, dois fatores modificados com o uso da pílula anticoncepcional. Quanto ao risco de infertilidade, diz, o mesmo pode acontecer com a pílula: a mulher pode deixar de menstruar e tornar-se estéril, como já se comprovou em diversos casos. O DIU é mais indicado para mulheres que já tiveram pelo menos um filho e torna-se mais eficaz com a idade mais avançada da mulher, numa fase em que ela se torna naturalmente, menos fértil. Quem coloca o DIU deve fazer um acompanhamento periódico – 30 dias depois da colocação, de três em três meses, no primeiro ano e depois a cada seis meses apenas para revisão, a fim de se certificar se o dispositivo está no lugar correto.
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