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Maio de 1998
Episiotomia
É garantia total contra riscos?
Feito para facilitar a passagem do bebê e proteger a musculatura genital da mãe, esse corte no períneo, em tese, aplica-se apenas ao primeiro parto, nos casos em que a criança é grande demais ou a passagem vaginal, muito estreita.
Mas a episiotomia está se tornando rotina na maioria dos partos normais.
Uma situação que começa a ser questionada por profissionais de saúde.
É consenso
A episiotomia é indicada quando a gestante está muito cansada durante o parto, não consegue fazer força suficiente para expulsar o bebê ou quando a batimento cardíaco da criança tem variação anormal.
SIM
Complicações podem ser mais sérias que suas seqüelas
Deixar de fazer a episiotomia, quando ela é necessária, pode trazer conseqüências muito mais sérias do que qualquer seqüela que o procedimento possa provocar. Uma rotura grave, por exemplo, leva a incontinência de gases, fezes e urina. Mas é verdade que se peca pelo excesso. Hoje, a episiotomia virou rotina me quase todos os partos. Já não está restrita ao primeiro, como deveria. Há justificativas para essa repetição nos partos subseqüentes, como proteger a musculatura novamente ou driblar falta de elasticidade decorrente da existência de uma fibrose na cicatriz da incisão anterior. Mas é preciso avaliar cada caso. A boa forma física da mãe e as manobras de proteção pelas quais o médico ajuda a posicionar a cabeça do bebê na hora do parto também facilitam a passagem da criança e protegem a musculatura. Por isso, é importante que médico e paciente conversem sobre o assunto ao longo da gravidez. Com confiança mútua, os dois podem tomar uma decisão rápida se o procedimento for necessário. Mas é perigoso à mulher simplesmente se recusar a faze-lo. O fato de não querer a episiotomia não significa que ela possa, necessariamente, dispensá-la. A ética médica determina que o profissional faça tudo ao seu alcance em benefício do paciente. Se o médico simplesmente atender a um pedido e, depois, algo der errado, ele pode ser responsabilizado juridicamente. Nessa encruzilhada legal, nem sempre um desejo do paciente pode ser atendido sem risco de conseqüências sérias para o médico.
Rufino Domingues Lopez, professor de Obstetrícia da Universidade Federal De São Paulo.
NÃO
Muitos mitos alimentam as vantagens dessa técnica
As chances de haver roturas na região do períneo durante o parto dependem principalmente do tamanho do bebê e da constituição muscular da mãe. Não há prova científica que a episiotomia previna a queda de bexiga ou evite lesões na região anal. Na verdade, os médicos americanos constataram que as lacerações profundas ocorrem em maior número entre as mulheres episiotomizadas. Se a gestante for sedentária ou tiver propensão hereditária para queda de bexiga, o procedimento também não evitará o problema. Durante o parto, a musculatura faz força por poucos minutos, o que não chega a prejudicar a região do períneo. O processo de dilatação, o longo do trabalho de parto, sim, é demorado. Mas se a gestante caminhar, fizer ginástica duas vezes por semana, seu períneo terá elasticidade e resistência. Mas não só. A preservação do períneo depende também da assistência recebida durante o parto. Em circunstâncias normais, cabe ao médico observar atentamente o desenvolvimento do parto, respeitar seu ritmo e intervir o mínimo possível. Mas é claro que o profissional pode facilitar o processo. Se a mulher ficar sentada, de joelhos ou de cócoras terá mais contrações, precisará fazer menos força, e o bebê nascerá mais rápido, por exemplo. Essa agilização ajuda a preservar o períneo. Além disso, o rompimento de musculatura verificado em partos sem episiotomia geralmente são de pouca gravidade, não justificam o uso rotineiro ou preventivo desse procedimento cirúrgico.
Adailton Salvatore Meira, Ginecologista, Obstetra, Homeopata e tradutor do livro Parto Ativo, editora Ground.
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Rufino Dominguez Lopez
Professor de Obstectrícia da Universidade Federal de São Paulo

Ginecologista, Obstetra, Homeopata e tradutor do livro Parto Ativo, editora Ground.
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